sexta-feira, 23 de abril de 2010

REFERÊNCIAS TEÓRICAS

Estudar moda está na moda. E o mercado de moda brasileiro não pára de crescer. Segundo os livros “Reflexões sobre Moda: volume II” de João Braga e “ As Espirais da Moda” de Francoise Vincent-Ricard, no século XIX, a França dominava o cenário da moda. Com a preocupação de melhoramentos na área, o Duque de La Rochefoucauld fundou, em 1780, a primeira escola de moda do mundo para alfaiates e sapateiros homens. Em 1841, foi criada pelo francês Aléxis Lavigne, a segunda escola de moda do mundo, que por muitos é considerada a primeira por ser voltada para costureiras, chamada “Guerre-Lavigne”. Esta escola ao longo do tempo tem formado gerações de profissionais que se destacaram trabalhando com estilistas internacionais como Dior, Saint-Laurent, Kenzo, Rabanne e Gaultier. Além disso, é a mais antiga escola de vestuário em plena atividade que conhecemos, pois teve seu nome mudado para a atual ESMOD (Ecole Supérieure de Créateurs de Mode).
Nos séculos anteriores ao século XX, a aprendizagem da habilidade do corte e costura ou até mesmo do desenho de moda se dava através da observação e comunicação hereditária, por intermédio das costureiras e parentes que transmitiam oralmente a maneira correta de se fazer. Já na metade do século XX, a transmissão do conhecimento de moda se dava através de cursos por correspondência. No entanto, a obtenção de habilidades através do ensino profissional passou por diferentes metamorfoses no decorrer da história. Em especial, o estudo das habilidades inerentes á área de moda, modificou-se tanto quanto as tendências e exigências de mercado vigentes em cada época.
No Brasil, ao longo dos primeiros quarenta anos do século XX com a Revolução Industrial em pleno vapor, a mão-de-obra utilizada nas fábricas era formada pela classe escravista e assalariada agrícola, que com o avanço do desenvolvimento industrial no país, teve que melhor se qualificar para atender as necessidades da época. Hoje em dia, essa necessidade é ainda maior. Empresas de grande porte possuem suas tarefas divididas por setores, nos quais possuir habilidades específicas se torna crucial na seleção de seus candidatos.
Em 1960, o Senac, passou a incluir em sua área de atuação o curso de Moda/Manequim. Hoje o mesmo conta com a parceria da ESMOD no curso de graduação.
Em 1987, surgia a primeira disciplina Desenho de Moda que estava incluída no curso de Licenciatura em Desenho e Artes Plásticas na Faculdade Santa Marcelina (FASM). Hoje com 20 anos de tradição, conta com uma parceria com o Instituto Marangoni e, se firma como uma referência para todos aqueles que querem ser estilistas.
No entanto, só em 1994 foi reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) o primeiro curso de graduação em moda chamado de Negócios da Moda, na Universidade Anhembi Morumbi (UAM). A Agência de Notícias Brasil-Arabe (ANBA) abordou a proliferação dos cursos da área no Brasil. O boom dos cursos superiores de moda ganhou espaço no país especialmente na década de 1990, após o São Paulo Fashion Week. Momento em que o mercado expandiu, ficou mais sofisticado e exigente, acarretando uma grande pressão na indústria da moda brasileira para que esta se diferencia-se das demais.
O aumento das instituições transmissoras do conhecimento na área de moda, é simultâneo ao crescimento da indústria têxtil brasileira. As empresas do país agora investem na reforma de seus parques industriais, em maquinário e tecnologia para competir com os concorrentes estrangeiros e fornecedores de matéria-prima para a indústria da moda. "As mudanças trouxeram uma outra necessidade: a de formar profissionais para trabalhar no setor", afirma Ivan Bismara, coordenador do curso seqüencial de Moda da Fundação Armado Álvares Penteado (FAAP), na qual o ensino superior tem uma participação bastante significativa.
Em 2001 foi a vez do curso de Design de Moda da UAM ter seu reconhecimento. No ano de 2003, os cursos do Senac: Design de Moda - Habilitação em Estilismo e Design de Moda - Habilitação em Modelagem, foram reconhecidos pelo (MEC). Eventos aqui realizados passaram a atrair profissionais da área e jornalistas de todo o mundo. Profissionais brasileiros ganharam visibilidade internacional por sua atuação no universo fashion.
Devido ao sucesso do profissional e à valorização da profissão, os cursos de moda se multiplicam. Há cerca de quinze anos, tínhamos não mais que dez cursos no Brasil. Atualmente, já existem 42 cursos superiores de moda no país, sendo 16 bacharelados. Nos últimos quatro anos, muitos cursos abriram em São Paulo e no Brasil. A citar: Instituto Europeo di Design, Belas Artes, Universidade Paulista (Unip), Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU), entre inúmeras outras. O mercado se profissionalizou e o número de universidades aumentou. O campo de atuação para profissionais de moda é cada vez mais amplo.
Ao contrário do que muitos pensam, atuar na área de moda não significa somente virar estilista, apesar de ser esta a formação mais procurada por aspirantes a fashionistas. As opções neste universo são diversas, com áreas de atuação profissional em design, desenvolvimento de matérias primas e estampas, modelagem, acessórios, figurinos, cenografia, fotografia, organização de eventos, marketing e confecções, entre outras funções. Com tantas opções, mesmo assim a carreira ainda é extremamente nova e pouco explorada no país.
Através dos sites da ABIT (Associação Brasileira das Indústrias Têxteis), da Fenatec (Feira Nacional da Indústria Têxtil) e do Senac, sabe-se que a moda é o segundo maior setor gerador de empregos no país. De acordo com Gabriela Maria Torres, coordenadora do curso de graduação e pós-graduação em Design de Moda da Fumec/FEA, “Com a globalização, as pessoas passaram a ter acesso á moda... A partir do momento em que se conheceu mais sobre moda, passou-se também a exigir mais dela por isso a necessidade de profissionalização”. Considerando informações adquiridas através de uma pré-pesquisa e das informações conseguidas por guias do estudante existentes, buscaremos unir e organizar os dados sobre os cursos de moda das instituições.

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